5 produtos que só serão reciclados se você ajudar

As embalagens não tem o mesmo caminho, mas separá-las para uma coleta seletiva é um ótimo começo. Nessa separação, existem alguns itens que estão presentes no nosso cotidiano, mas ainda assim, não chegam a reciclagem pelo caminho convencional. Eles precisam de rotas específicas e essa rota começa a partir da sua ação como consumidor.

Estes são os chamados resíduos especiais. São materiais que contêm substâncias que podem contaminar os recicláveis, a natureza e até quem trabalha com a coleta e triagem. Para isso, existe a logística reversa: um sistema onde fabricantes e distribuidores têm a obrigação legal de criar caminhos de retorno para esses produtos após o uso.

Mas a grande questão é: esse sistema só funciona se você fizer a sua parte!

Quais são os produtos? Vamos trazer 5 exemplos:

1. Medicamentos

A caixa de papel e a bula podem ir para a reciclagem. Agora, o medicamento em si, comprimidos e cartelas (blister), precisam ser descartados em pontos de coleta específicos, que geralmente são em farmácias e drogarias, mas não são reciclados.

O motivo é que estes podem contaminar o solo e água, caso sejam descartados em lixo comum ou em vaso sanitário, que neste caso causa um gasto a mais para a gestão do tratamento de água. Um exemplo de sistema que trabalha nesta logística é o LogMed, presente em mais de 700 municípios brasileiros, com 8 mil pontos de coletas espalhados. Então, se o remédio venceu, deixe em um saquinho separado para depois descartar corretamente, quando for a uma farmácia.

2. Pilhas e baterias

Chumbo, cádmio, mercúrio. A lista de metais pesados não para por aí e nenhum desses é bom para solo e água. Para isso, a legislação brasileira obriga os fabricantes desses produtos a estruturarem sistemas de logística reversa, mas para funcionar é preciso que você separe-as após o uso e descarte corretamente.

Os ecopontos vão depender da sua cidade, então é válido fazer essa busca. Geralmente, alguns cestos próprios para o material são disponibilizados em ambientes públicos como parques, praças e em áreas de comércio. Guarde as pilhas e baterias que já acabaram sua carga em uma gaveta e tome cuidado com os resíduos que elas podem soltar. Mas quando possível, faça essa busca e descarte.

3. Lâmpadas

As lâmpadas fluorescentes possuem mercúrio em sua composição, ou seja, não podem ser descartados em lixo comum. Outro ponto é que, se quebrada, deve ser colocada em um pote/embalagem e levada a um ecoponto mais próximo. Nunca jogue vidro e materiais perfurocortantes no lixo, pois isso traz risco a quem trabalha com coleta e triagem. As lâmpadas de LED também devem ser separadas e destinadas a ecopontos, pois a reciclagem das mesmas é possível em escala industrial.

O programa Reciclus é um ótimo exemplo para a coleta das lâmpadas contando com mais de 3.900 pontos espalhados pelo Brasil. A dica é confirmar com o estabelecimento se eles recebem diferentes tipos de lâmpada no mesmo ponto de coleta, mas ambas precisam desse cuidado necessário.

4. Eletrônicos

O Brasil é o maior gerador de lixo eletrônico do mundo. São 2,4 milhões de toneladas por ano, mas apenas 3% desse montante é coletado e reciclado. Celulares, computadores, cabos, carregadores, fones, tablets e até eletrodomésticos entram nessa categoria.

Os eletrônicos têm em sua composição materiais valiosos que, se reciclados corretamente, evitam a extração de matéria-prima virgem. O processo de descarte deve seguir os mesmos passos da maioria dos itens acima, onde é necessário fazer uma breve pesquisa por pontos de coleta ou pontos de entrega voluntária (PEVs) e levá-los. Um exemplo em escala nacional é a plataforma Circulare (Circular Brain) que conta com mais de 17 mil pontos de coleta mapeados em seu site e pode ajudar nesse processo.

5. Bituca de cigarro

O último item dessa lista parece até que se degrada sozinho do tanto que é encontrado no chão. Pequeno, descartado em qualquer lugar pelas pessoas, principalmente na calçada e na rua, ele está longe de ser inofensivo. Estima-se que 4,5 trilhões de bitucas sejam jogadas no ambiente todos os anos. Isso os torna um dos principais resíduos presentes na Terra. Para além dessa quantidade, seu filtro é feito de acetato de celulose, um tipo de plástico que se fragmenta em microplásticos, podendo contaminar todo o ambiente presente.

Elas são classificadas como rejeito e não vão para a coleta seletiva. Contudo, existe um caminho que vem sendo explorado pela empresa Poiato Recicla. Pioneiros no Brasil, estão transformando as bitucas em novos materiais por meio da reciclagem. O projeto ainda está em expansão nacional, mas eles já entregam dados importantes e estimulam uma mudança de hábito, visando a mudança de percepção do seu, do meu e do nosso lixo.

Resíduos além do descarte

Esses 5 exemplos de materiais apresentam uma coisa em comum: por mais que se apontem falhas de gestão, todos tem um destino possível. A questão vai além da tecnologia, pois essa existe. É informação, infraestrutura e hábito de quem consome.

Quando não sabemos o que fazer com um produto após o uso, a tendência natural é jogar no lixo comum, não por descaso, mas por falta de referência e comunicação. E é aí que a cadeia trava.

O que você pode fazer?

Agora que já sabe que existem caminhos e que estes não são os convencionais, resta pesquisar os pontos de coleta disponíveis em seu município. Se você trabalha em uma empresa, vale olhar se existe uma política interna de descarte correto. E se não existe, talvez seja hora de propor uma.

Sustentabilidade também é reconhecer que alguns esforços são necessários, e que tem muita gente ao longo dessa cadeia contando com a sua escolha para que tudo funcione. Se esse artigo te ajudou, compartilhe com alguém que ainda não sabe por onde começar.

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Sobre o autor

Gabriel Ferri

Geógrafo de formação pela UFU e comunicador por vocação. É a voz e o rosto do Planeta Pós Pandemia. Reconhecido como Agente do Verificado da ONU, Gabriel dedicou os últimos anos a decodificar a crise climática para o grande público. Já palestrou em eventos como já palestrou em eventos como Bio Brazil Fair Naturaltech e Unibes Cultural  e para equipes de grandes multinacionais. Acredita que “ninguém protege o que não entende”.